22 Junho, 2009

JOÃO PATETA

POSSÍVEIS FINAIS
(Oficina de escrita)


(...)
No dia seguinte, o João foi trabalhar para um ferreiro que lhe deu um pão como re compensa do seu dia de trabalho. O João atou um cordel ao pão e trouxe-o arrastando atrás dele. Chegou a casa, com o pão todo, estragado.
- És um desastre – respondeu-lhe a mãe. – Devias tê-lo trazido na mão.
-Assim o farei na próxima vez – respondeu o João .
Tempos depois, João foi trabalhar para outro padeiro. O padeiro deu-lhe um cão pelo seu dia de trabalho.O João, desta vez, lembrou-se das palavras da mãe: agarrou no pão com as duas mãos e não o largou até chegar a casa.Chegou a casa e a mãe, finalmente feliz porque o seu filho parecia ter atinado, respondeu-lhe.
-Ai meu rico filho, cheguei a pensar que nunca irias trazer para casa a recompensa do teu dia de trabalho.

Paulo Lousas


(...)
No dia seguinte, João foi trabalhar para um mosteiro onde teria que o limpar todo. Mas quando chegou a parte das casas de banho ele recusou. O padre deu-lhe umas bofetadas bem assentes. João, de seguida, vai limpar o santo do altar, mas como ele não sabia o que era, começou a brincar com os aparatos que lá estavam. O padre, consoante o vê a brincar com aquilo, ofereceu-lhe uma par de chapadas, desta vez ainda mais afincadas.
João, não gostou da brincadeira e, a chorar, disse que já não queria trabalhar mais.
O padre, feliz da vida, aceitou e mandou-o embora.
- Então a minha recompensa? – pergunta o João a chorar.
- São mais dois pares de bofetadas! – respondeu o padre, já farto dele até aos cabelos (que a bem dizer já não eram muitos).
João, nesse momento, agarra na corda, prende o padre pelas mãos, e leva-o para casa. Chega a casa cansado de tanto puxar e sem dar conta que o padre tinha desmaiado e se encontrava inanimado.
- Que trazes aí meu imbecil? – pergunta a mãe, aterrorizada com o que viu.
- É a minha recompensa. O padre disse que me dava dois pares de punhadas pelo trabalho... e eu, já farto de tanto apanhar, achei que era melhor ele aprender uma lição!
- Para a próxima trazes o homem vivo e inteiro, ao menos sempre dá mais jeito! – a mãe com tom ironizado lhe respondeu.

Viriato Vaz



(...)
João, já chateado de ouvir tantas vezes a mãe, e de fazer tanta asneira, decide combinar com a mãe como resolver o problema. Pensam e repensam e chegam a uma conclusão:
- Mãe todos os dias, à mesma hora vais ter comigo ao trabalho e assim recebes o pagamento e tratas a situação como deve ser! - sugeriu o João.
A mãe ficou meio aparvalhada com a lucidez do seu filho. Vendo bem as coisas talvez ele não fosse tão parvo como primeiro supusera. Ficou mais feliz por ver que o seu filhinho não era muito diferentes dos outros rapazes da sua idade. A partir desse dia tudo passou a correr bem e viveram melhor (pelo menos durante uns tempos!).

Carla Pires

17 Junho, 2009

HISTÓRIAS DE HOJE

CAPUCHINHO VERMELHO

Era uma vez uma chavala que se chamava Capucho, Capuchinho Vermelho pós manos.
Um dia a cota da Capucho mandou-a ir levar umas cenas para a avó acalmar a galga. E ela pegou logo no sk8 e trapla, botou-se logo ali a fazer altos back flips a descer a city.
Deparou-se com um tipo bués de chunga, e disse-lhe:
- Atão bro?! Qué que estás aqui a cheirar?
- Nada, minha senhora, estou apenas a conhecer melhor a minha paróquia, respondeu ele. Sou o novo padre, acrescentou.
- Padre??? Tu és um lobo, men!
- Pois sou minha senhora, e até há bem pouco tempo era selvagem. Depois fui para o seminário e acalmei.
- Então vê lá se te portas bem, para não ter de chamar os meus sócios e encher-te esse corpo de porrada.
- Com certeza minha senhora.
A Capucho arranca em direcção a casa da avó, dá-lhe logo aquilo que tinha de lhe dar e baza a dar alto gazete até casa onde foi pó hi5 ver uns gajos para aviar.


Por Hugo Gomes, André Ribeiro




O SOLDADINHO PERNETA


Era uma vez um chavalo que era fanático pela tropa.
Um dia decidiu seguir essa via e, entre batalhas e guerras, birras e outras confusões, viu-se usurpado de um dos seus membros inferiores. Despernado, desamparado, dabrigado, foi encostado a um canto como quem encosta um pau de vassoura. Na verdade não era um pau de vassoura mas uma perna de pau que à vassoura se assemelhava.
Nesse seu canto, embrulhado em jornais e protegido por caixas de papelão (as caixas protectoras dos frigoríficos eram as sua preferidas) observava todas as noites uma casa de strip ali nas redondezas. Na verdade a casa pouco lhe interessava, o seu olhar ia inteirinho para uma bela stripper que ali trabalhava. Ansiava pelo cair da noite, vivia para aqueles momentos em que a via chegar.
Um dia ela também o olhou, primeiro com indiferença, depois mais atentamente. No dia seguinte voltou a olhá-lo; no terceiro dia (ou melhor dizendo, noite) deu-lhe um sorriso. O soldado perneta pensou que estava a sonhar. Não caiu da cama abaixo porque em baixo era a sua cama mas ficou completamente abananado, os olhos esbugalhados, o queixo caído.
A partir daí, todos os dias (ou noites) trocavam olhares, olhavam-se nos olhos, longamente, até que um dia... um dia ...
Bem, um dia, o dono da boîte percebeu porque é que a stripper chegava sistematicamente atrasada ao show. Além do mais o rendimento da artista estava a deteriorar-se, os clientes já não a apreciavam tanto. Sem demora, contratou uns seguranças que, sem piedade, pegaram no soldado perneta e... e... e o Tejo foi o o destino do infeliz. Sorte ou azar foi recolhido por um cruzeiro e durante uns dias navegou por águas desconhecidas. Mas, soldado profissional, não resistia a uma briga e daí até ser lançado de novo às águas foi um instante. Não teve a mesma sorte desta vez, não havia barco que o recolhesse. O destino lançou-o na dorso de um enorme atum que por ali se encontrava e que por gulodice acabou no anzol de um pesacdor de domingo.
O soldado perneta regressou a terra. De novo sem abrigo, lá se arrastou até à viela onde a stripper dos seus sonhos trabalhava.
O reencontro foi ... foi estranho. Ele mal a reconheceu de escanzelada que estava, ela mal o identificou com o pivete que exalava. De modos que, bem vistas as coisas, o melhor seria esperar por dias melhores...
Mas na sua imaginação... viveriam felizes para sempre.

imagem - Le mendiant a la jambe de bois, Jacques Callot

PorJosé Bastião e Rodrigo Silva.




TRÊS PORQUINHOS

Três porcos, gordos, bem cevados e independentes, decidiram viver separadamente; a vida em grupo era conflituosa. Cada dia havia entre eles, brigas, zangas, confusões. Pretendiam agora ter paz de espírito.
O primeiro porco, um bêbado e preguiçoso de primeira, construiu uma casita, feita à pressa, sem estilo nem estrutura, sem fundações nem qualquer tipo de resistência. Mal e porcamente, acumulou uma série de garrafas de Super Bock, entrelaçou-as com ráfia, uniu-as muito debilmente. Solidez era coisa que não havia mas ela não estava para se afligir...
O segundo porco, preguiçoso e mais gordinho, não quis ter trabalho. Calaceiro e sorna, apropriou-se de uma barraca da cerveja ali deixada depois da rave realizada nas redondezas. Melhor era impossível! Já estava pronta e sem trabalho nenhum. è verdade que não tinha grandes condições logísticas mas também para um porco não era preciso muita coisa...
O terceiro porco, mais maduro, trabalhador e inteligente que os irmãos, construiu um tasco de qualidade reconhecida pela Ordem dos Engenheiros - bem fundeada, alicerces resistentes, paredes fortes, janelas isolantes.
A vida corria sem contratempos até que um dia, um velho conhecido, inimigo de longa data, o lobo, decidiu visitá-los.
Quando deu de caras com a casinha do primeiro porco, fartou-se de gozar dizendo que a casa não prestava. O porco, contrariado e assanhado, apostou um barril de cerveja em como ele não seria capaz de derrubar a casa. Então o lobo soprou com todas as forças e derrubou a casa, ganhando assim um barril de cerveja.
De seguida, foi visitar o segundo porco. Passou-se a mesma situação, mas agora a aposta era a dois barris de cerveja! Sem a mínima dificuldade, o lobo devastou a barraca. E assim o lobo começava a coleccionar barris de cerveja.
Por fim, foi visitar o terceiro porco. Fez a mesma proposta, mas a aposta subia, agora, a três barris. Mas como o terceiro porco era esperto e trabalhador, e tinha construído um tasco grande e firme, o lobo não conseguiu vencer o desafio. Além disso, esperto, o terceiro porco espirrava continuamente afirmando suspeitar ser vítima da gripe suína. O lobo não quis ouvir mais nada. Gostava de cerveja mas não se atrevia a ser contagiado com o vírus H1N1. Não, não havia cerveja que valesse a vida. Apressadamente retirou-se do local e dificilmente lá voltaria.

Felizes e contentes com o desfecho da história, os três porquinhos juntaram-se no tasco a beber cerveja ate não poderem mais.


Por Alexandre Varandas e David Polónio



O PUTO CHUNGA

Uma pata cota e trenga deu à luz bués de patinhos. O último a nascer saiu meio torto, parecia carvão, era tótil chungoso, alto, beto. O puto sentia-se descriminado; cada vez que olhava à sua volta nunca via ninguém, sentia que todos se afastavam e o evitavam. Estava sempre sozinho, sentia-se miseravelmente abandonado. Um dia o puto passou-se do caco e bazou. Curtiu bués a noite, apanhou altas bezadas, passou de beto a bardino.
Mas como o que é demais passa a exagero e cansa, também ele se cansou uma bequinha das borgas e decidiu encontrar uma dama para começar a bulir. Vagueou e achou uma casa, que era de uma chavala bues de marada, com alta moca. A miúda acolheu-o em sua casa. O pirralho tornou-se tótil inteligente fez-se alto cisne, acasalaram e tiveram alta ninhada.

Por Carla Pires, Daniela Afonso e Joana Cordeiro




BOLA DE PÊLO

Era uma vez um cota que tinha três chavalos. Chamou-os e disse que tinha que orientar umas cenas para os bro.
Ao puto mais cota deu um moinho, ao chavalo do meio orientou um burro, ao puto mais puto orientou um gato.
O mais novo não gostou nada do que lhe caiu na sorte mas o bichaninho virou-se pra ele e disse: - Yo mano, orienta-me um saco e umas galochas.
O puto, no dia seguinte, orientou isso. O gajo vestiu-se e foi floresta fora até caçar uma lebre e orientou-lha ao king, dizendo que era do brother Marquês Carabás. Isto bués de vezes seguidas. O bichano disse ao brother que fosse tomar banho, e quando o king estava a passar, o bolas gritou para ajudar o seu brother que estava a ficar sem ar. O king ajudou o brother Carabas. Achou-o um tipo simpático e admirou-lhe o bola de pêlo. Levou-o ao castle e apresentou-o à filha, bués de gira! Ficaram caidinhos um pleo outro, juntaram os trapos e o que foi feito deles... ninguém sabe!

imagem em billyrockeoscomedoresdeacucar.blogspot.com/fe...

Por Viriato Vaz e Carlos Morais




Hansel e Gretel

Hansel e Gretel viviam dias difíceis: depois de uma busca a casa onde viviam com os pais, a moina encontrou doses consideráveis de heroína. Os seus cotas foram detidos e levados pela moina para a choça. Os chavalos foram entregues à Segurança Social que os reencaminhou para uma família de acolhimento que os tratava bués de bem. Mas os chavalos, como estavam habituados ao ambiente da pesada, não se conseguiram habituar à nova família. Um dia, decidiram dar de frosques. O Bairro Alto pareceu-lhes uma óptima opção. Encontraram uma casa abandonada, tomaram posse dela, alojaram-se e aí organizaram a sua vida. Filho de peixe sabe nadar – tal como os pais, dedicaram-se ao tráfico de substâncias psicotrópicas, maneira fácil de arranjar dinheiro.
Pouco a pouco, de traficantes passaram a consumidores. Cada dia mais uma migalha, cada dia mais uma dose. A vida já não fazia sentido sem o pó, tornava-se cada vez mais difícil sem o produto. Todos os motivos são pretexto para consumirem. Mas como arranjar cacau para se manterem o vício??
A caixa de esmolas dos pedintes tornaram-se alvo fácil, as mercearias de bairro seguiram-se na lista dos assaltos. Daí às caixas multibanco e carjacking foi um salto. A polícia tinha-os sob vigilância e ao primeiro deslize que eles cometessem... choça com eles! E o dia chegou - ansiosos e desatinados por uma dose não repararam que alguém os observava atentamente e após uma tentativa de roubo por sacão eis que se sentem agarrados pelos ombros. Mas o desepero era maior e empurra daqui empurra dali lá conseguiram safar-se.
Correram, correram até mais não. Onde encontrar refúgio? Conheciam gente p´rós lados da Cova da Moura, talvez se pudessem esconder ali. Meu dito meu feito! Era já noite quando lá chegaram, exaustos, extenuados, arrasados. Mas o que os esperava, oh lá lá!! Por muito baixo que tivessem chegado, não era ali que se iriam enfiar. A degradação era mais que muita, a miséria, a sordidez ultrapassavam os seus piores receios. Não, definitivamente não!
O sino da consciência bateu a rebate. Era hora de mudar! Os cotas não podiam vir dar uma mãozinha, ninguém os poderia ajudar. Bazaram dali. O banco de jardim serviria de cama nessa noite, depois logo veriam...
E dia após dia, noite após noite, mendigando um eurito, pedindo a sopa dos pobres lá foram sobrevivendo.

imagem em www. clipart.com

Por Luis Martins e Paulo Lousas